BEM VINDOS (AS)!

"Em Nome do Pai de todos os Povos,
Maíra de tudo,
Excelso Tupã.

Em Nome da Terra Sem Males,
perdida no lucro, ganhada na dor,
em nome da morte vencida,
em nome da Vida,
cantamos, Senhor!"
(D. Pedro Casaldáliga)

BEN VENIDOS! BEN VENIDAS!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Frei Tito de Alencar Lima – Mártir da Tortura

Nasceu em Fortaleza e estudou no Liceu do Ceará. Assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar em Recife. Ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte em 1966 e fez a profissão dos votos no ano seguinte, mudando-se então para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo. Em outubro de 1968, Frei Tito foi preso por participar de um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. Foi fichado pela polícia e tornou-se alvo de perseguição da repressão militar.
No dia 04 de novembro de 1969, foi preso juntamente com outros dominicanos pelo Delegado Fleury, do DOPS. Durante cerca de trinta dias, sofreu torturas nas dependências deste órgão, de onde foi levado para o Presídio Tiradentes.
Frei Tito relata a tortura que sofreu pelo DOPS na Ditadura Militar:
“Quiseram me deixar dependurado toda a noite no "pau-de-arara". Mas o capitão Albernaz objetou: "não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis". "Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia".
Na cela eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior do que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros padres sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me.
Na cela cheia de lixo, encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento. Tomei a gillete. Enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa.
À certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca "para receber a hóstia sagrada". Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito.
No sábado teve início a tortura psicológica. Diziam: "A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista. A Igreja vai expulsá-lo". Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse.”
Sua Páscoa neste dia 10 de agosto faz recordar o ano de 1974, onde foi encontrado morto na França. O grito de Tito se entrelaça no dia de hoje que celebramos a sua PÁSCOA. As trevas são vencidas. E o seu sangue é semente do Reino. Jesus de Nazaré, o Mártir Supremo, a Testemunha Fiel, assumiu as causas e os conflitos do Reino até a morte de cruz. “Há mortes morridas, há mortes simplesmente matadas; as mortes dos mártires são mortes vencidas.” (Dom Pedro Casaldáliga.)

                                                 
Frei Tito! Presente na Caminhada em busca do Reino. Guardamos viva a sua memória; assumindo atualizamente suas causas; proclamando ativamente sua Esperança.



Um comentário:

  1. Frei Tito, mártir da tortura, é mais uma testemunha fiel do Reino. Ele nos guarde e proteja da criminalização dos movimentos sociais.

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