BEM VINDOS (AS)!

"Em Nome do Pai de todos os Povos,
Maíra de tudo,
Excelso Tupã.

Em Nome da Terra Sem Males,
perdida no lucro, ganhada na dor,
em nome da morte vencida,
em nome da Vida,
cantamos, Senhor!"
(D. Pedro Casaldáliga)

BEN VENIDOS! BEN VENIDAS!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

“Vocês arrancam a vida do meu Povo!” (Miq 3,2)


            Até quando!
            Até quando os olhos vão continuar vedados diante do sangue inocente sendo derramando. Vão ter que prestar contas de cada gota de sangue, de cada grito, de cada lágrima!
            O Profeta Valdemar gritou que o latifúndio está acabando com a vida dos filhos e filhas de Deus e principalmente com a vida da Floresta do Pará. A pecuária e as carvoarias matam a vida do povo. E as autoridades não ouviram. E nunca saberemos se ouvirão!
            O clamor sobe e estronda nos céus! Chega de exploração, desmatamento, veneno, chega de mortes! Os filhos e filhas de Deus não aguentam mais ficar gritando. Quantas mortes sem resolução. Até quando!
            Já dizia o Profeta Isaías: “Ai dos que juntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores da terra” (Is 5,8).
            Cuidado, pois a riqueza produz mortes, miséria, escravidão. Escurece os olhos pelas belezas das pedras preciosas. Cuidado, “[...] vosso ouro e vossa prata estão enferrujados e a ferrugem testemunhará contra vós e devorará vossas carnes”. (Tg 5,3)

        Valdemar Oliveira Barbosa – Presente na Caminhada



Kleber Jorge e Silva – Diocese de Chapecó/SC

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Vários estados brasileiros se mobilizam em atividades para o 17° Grito dos Excluídos (as)

Karol Assunção
Jornalista da Adital
 
Fonte: Adital
 
Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós! É sob esse lema que organizações, movimentos e pastorais sociais se articulam para 17ª edição do Grito dos Excluídos. A mobilização, que acontece desde 1995 durante a Semana da Pátria, chama a população a denunciar as exclusões e a lutar por seus direitos.
De acordo com Ari Alberti, integrante da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, a manifestação popular acontecerá em todo o país. Por ser uma atividade descentralizada, ainda não há como fazer uma previsão do número de participantes. Segundo ele, não existem informações sobre a realização da atividade apenas no Acre. "Nos outros estados todos vão acontecer [manifestações]; alguns mais, outros menos”, revela.
A cada ano, o Grito dos Excluídos se consolida não como um evento pontual do dia 7 de setembro, mas como um processo. Isso porque, segundo Alberti, o Grito é um "espaço de formação e informação”. Para isso, promove debates e discussões antes, durante e depois da Semana da Pátria.
De acordo com ele, algumas cidades realizam debates, seminários e pré-gritos desde o mês de junho. E a ideia também é que, após o 7 de setembro, as organizações sociais de cada local possam juntar as reivindicações manifestadas na mobilização para realizar um documento e cobrar das autoridades. "O Grito é um processo conjunto de formação e conscientização para o projeto popular, com ações pré e pós [Grito]”, comenta.
O integrante da coordenação nacional lembra que, por ser descentralizado, não há uma pauta específica de reivindicação, pois as demandas são de acordo com os problemas locais. "A ideia é que cada local possa fluir o grito que faz parte do dia-a-dia”, afirma.
Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós!
A partir das discussões da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema foi Fraternidade e Vida no Planeta, a 17ª edição do Grito dos Excluídos traz como lema Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós! Para Ari Alberti, o lema chama para a discussão tanto sobre o meio ambiente, ameaçado pelo modelo desenvolvimentista e pelas grandes obras, quanto sobre os direitos. "É importante lembrar que saúde, educação, moradia são direitos básicos previstos na Constituição”, comenta.
Para ele, é importante que a população se articule e reivindique seus direitos e mais participação nos debates. "Ou a sociedade se organiza ou os direitos não vão acontecer”, avisa, ressaltando a importância da participação popular para se ter um país independente. "No Código Florestal, por exemplo, por que não se conclama a sociedade brasileira a discutir e decidir?”, questiona.
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos já faz parte do calendário nacional de ações realizadas durante o dia 7 de setembro. De acordo com Alberti, a mobilização conseguiu mudar a ideia de Semana da Pátria e questionar sobre o Dia da Independência. "Mesmo quem não concorda, sabe que existe uma atividade diferente das marchas oficiais”, destaca.

Gritar juntos basta de violações! Conquistar juntos o direito à moradia e à terra!

Autor: Nicola Sossass - Fonte ADITAL

Resistências e Alternativas são as palavras-chaves escolhidas pelo Comitê de Contato constituído por ocasião da Assembleia Mundial dos Habitantes para federar, este ano, de 15 de setembro a 31 de outubro, a Campanha Mundial pelo Direito à Moradia e à Terra.
No centro, a luta contra as expulsões, os despejos, a monopolização de terras, a perseguição aos militantes: este ano, esses temas abarcam todos, não somente as organizações envolvidas há muito tempo nas Jornadas Mundiais Despejo Zero ou demais campanhas.
Como alvo, as políticas neoliberais, origem da crise global e urbana, da corrupção e da especulação imobiliária, que excluem da moradia mais de um bilhão de pessoas, mandando para a rua a cada ano mais dezenas de milhões.

No banco dos réus o produtores da crise global e da moradia
No banco dos réus, os parasitas escondidos por trás dos fundos, sem nome ou "soberanos”, o FMI, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Asiático de Desenvolvimento, ou seja, os principais produtores da crise, que já não têm mais legitimidade alguma para propor suas receitas, baseadas no mercado e nas guerras, para sair da crise.
No banco dos réus também os governos, em todos os níveis, e por vezes algumas instituições supranacionais, como UN-Habitat, que deveriam aliar-se à luta pelo direito à moradia e à terra, mas tornam-se cúmplices dos despejos se seus burocratas priorizam às leis do mercado, ignorando os direitos humanos e a sustentabilidade.

Graças ao impulso dado pela AMH, pela primeira vez todos juntos
Graças ao impulso dado pela AMH, pela primeira vez as redes internacionais pelo direito à moradia decidiram juntar suas forças, convencidas de que somente unidas poderiam enfrentar a crise global e a crise da moradia, na defesa dos habitantes mais ameaçados e atacando as raízes das desigualdades, assim como a insustentabilidade social e ambiental.
Trata-se de uma decisão histórica, que se traduz por iniciativas concretas (passeatas, ocupações, defesas das pessoas e das comunidades ameaçadas, fóruns, etc.) que constam nos mapas interativos do blog unitário.
Por essas razões, todas as organizações de habitantes (vizinhos, moradores de locais precários, locatários, desabrigados, povos nativos, etc.) são convidadas a reunir-se às Jornadas, contribuindo para reforçar as lutas de todos.

Consolidar a colaboração criando « Forças Tarefa Unitárias Antidespejos»
Por essas mesmas razões, o convite estende-se, para consolidar a colaboração entre essas mesmas organizações criando «Forças Tarefa Unitárias Antidespejos» a nível local, e desenvolver o diálogo e as convergências rumo à «Via Urbana e Comunitária» que cresceu por ocasião do processo da AMH sobre a proposta da AIH.
Trata-se de construir juntos o tesouro do diálogo e das iniciativas federadoras: espaço comum global das organizações e redes de habitantes, para trocar experiências de luta e de alternativa, compartilhar estratégias, implementar concretamente a solidariedade g-local.
Consequentemente, a fecundidade das Jornadas: Gritar juntos Basta! às violações do direito à moradia e à terra, estabelecer juntos bases sólidas, essenciais para vencer batalhas pontuais e criar um "outro mundo possível”.

As organizações de habitantes lançam o desafio aos governos
Vencido o desafio unitário, a partir das Jornadas, as organizações de habitantes lançam o desafio aos governos, em todos os níveis (local, nacional, regional, supranacional) para obter políticas públicas da moradia e dos solos "despejo zero”.
Para acelerar a abertura de um autêntico diálogo sobre esses temas com as contrapartes, as organizações de habitantes e suas redes, com o apoio dos aliados e parceiros, caminham juntas.
Cabe aos governos responder positivamente a essas propostas, rejeitando qualquer atitude repressiva.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Encontro das Pastorais Sociais reforça opção pelo Projeto Social do Reino.

No dia dezessete de agosto, aconteceu, na sede do Itepa-Ifibe, o encontro das Pastorais Sociais, que reuniu lideranças da Arquidiocese de Passo Fundo e da Diocese de Erexim.
Os trabalhos iniciaram com uma mística, quando cada participante colocou, através de um símbolo, o objetivo da pastoral que representava.
O padre Cesar Menegat, coordenador de Pastoral da Diocese de Erexim conduziu os trabalhos. Em grupos, os presentes refletiram sobre as ações realizadas nas diversas pastorais sociais e que estão viabilizando o profetismo da Igreja no cuidado e defesa da vida.
Foi constatado que existe um grande contingente de pessoas ligadas à Igreja Católica atuando nas Pastorais Sociais, proporcionando formação e buscando alternativas diante das necessidades e dificuldades concretas de inúmeros grupos.
Participaram do evento, promovido pela Arquidiocese de Passo Fundo, representantes da Pastoral da Criança, da saúde, da pessoa idosa, da esperança, da pastoral indigenista e carcerária, além da CPT, Cáritas, CEBs e Movimento das Mulheres Camponesas.


Fonte: Arquidiocese de Passo Fundo/RS

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Daqui do meu lugar! Pe. Zezinho

Daqui do meu lugar, eu olho teu altar,
E fico a imaginar aquele pão aquela refeição,
Partiste aquele pão e o deste aos teus irmãos,
Criaste a religião do pão do céu do pão que vem do céu,
Somos a igreja do pão,
Do pão repartido e do abraço e da paz,
Somos a igreja do pão,
Do pão repartido e do abraço e da paz,
Daqui do meu lugar,
Eu olho o teu altar,
E fico a imaginar aquela paz aquela comunhão,
Viveste aquela paz,
E a deste aos teus irmãos,
Criaste a religião do pão do céu do pão que vem do céu.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Frei Tito de Alencar Lima – Mártir da Tortura

Nasceu em Fortaleza e estudou no Liceu do Ceará. Assumiu a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963 e foi morar em Recife. Ingressou no noviciado dos dominicanos em Belo Horizonte em 1966 e fez a profissão dos votos no ano seguinte, mudando-se então para São Paulo para estudar Filosofia na Universidade de São Paulo. Em outubro de 1968, Frei Tito foi preso por participar de um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. Foi fichado pela polícia e tornou-se alvo de perseguição da repressão militar.
No dia 04 de novembro de 1969, foi preso juntamente com outros dominicanos pelo Delegado Fleury, do DOPS. Durante cerca de trinta dias, sofreu torturas nas dependências deste órgão, de onde foi levado para o Presídio Tiradentes.
Frei Tito relata a tortura que sofreu pelo DOPS na Ditadura Militar:
“Quiseram me deixar dependurado toda a noite no "pau-de-arara". Mas o capitão Albernaz objetou: "não é preciso, vamos ficar com ele aqui mais dias. Se não falar, será quebrado por dentro, pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis". "Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia".
Na cela eu não conseguia dormir. A dor crescia a cada momento. Sentia a cabeça dez vezes maior do que o corpo. Angustiava-me a possibilidade de os outros padres sofrerem o mesmo. Era preciso pôr um fim àquilo. Sentia que não iria aguentar mais o sofrimento prolongado. Só havia uma solução: matar-me.
Na cela cheia de lixo, encontrei uma lata vazia. Comecei a amolar sua ponta no cimento. Tomei a gillete. Enfiei-a com força na dobra interna do cotovelo, no braço esquerdo. O corte fundo atingiu a artéria. O jato de sangue manchou o chão da cela. Aproximei-me da privada, apertei o braço para que o sangue jorrasse mais depressa.
À certa altura, o capitão Albernaz mandou que eu abrisse a boca "para receber a hóstia sagrada". Introduziu um fio elétrico. Fiquei com a boca toda inchada, sem poder falar direito.
No sábado teve início a tortura psicológica. Diziam: "A situação agora vai piorar para você, que é um padre suicida e terrorista. A Igreja vai expulsá-lo". Não deixavam que eu repousasse. Falavam o tempo todo, jogavam, contavam-me estranhas histórias. Percebi logo que, a fim de fugirem à responsabilidade de meu ato e o justificarem, queriam que eu enlouquecesse.”
Sua Páscoa neste dia 10 de agosto faz recordar o ano de 1974, onde foi encontrado morto na França. O grito de Tito se entrelaça no dia de hoje que celebramos a sua PÁSCOA. As trevas são vencidas. E o seu sangue é semente do Reino. Jesus de Nazaré, o Mártir Supremo, a Testemunha Fiel, assumiu as causas e os conflitos do Reino até a morte de cruz. “Há mortes morridas, há mortes simplesmente matadas; as mortes dos mártires são mortes vencidas.” (Dom Pedro Casaldáliga.)

                                                 
Frei Tito! Presente na Caminhada em busca do Reino. Guardamos viva a sua memória; assumindo atualizamente suas causas; proclamando ativamente sua Esperança.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Governador visita comunidade e é recebido com resistência às remoções para a Copa de 2014

Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Adital

Na capital nordestina Fortaleza (CE), uma das cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol 2014, ocorreu ontem (2) um fato inesperado: o governador do estado do Ceará, Cid Gomes, visitou pessoalmente a comunidade Aldacir Barbosa, umas das 22 ameaçadas de remoção devido às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), parte do projeto da Copa.
Ele entrou nas residências dos moradores, à noite, por volta das 20h, para defender a construção do VLT e pressioná-los a aceitar as remoções. Estava acompanhado de cerca de 30 seguranças armados, além de autoridades como o chefe da Casa Civil (e irmão do governador), deputado Ivo Gomes, o procurador geral do Estado, Fernando Oliveira, o presidente do Trem Metropolitano de Fortaleza (Metrofor), Rômulo Fortes, o secretário da Infraestrutura do Ceará, Adail Fontenelle, e o superintendente de Meio Ambiente, José Ricardo Araújo.
Em resposta à ofensiva, uma rápida mobilização surpreendeu o governador. Dezenas de moradores saíram às ruas e gritaram palavras de ordem como "Daqui não saio, daqui ninguém me tira” e "Cid é terrorista”, devido ao terror psicológico que a população vem sofrendo pela ameaça de remoção.
Para reforçar a resistência, o Movimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM) foi acionado, pelo que compareceram os núcleos das comunidades Trilha do Senhor, Dom Oscar Romero, João XXIII e Montese.
Segundo a professora Francinete Gomes, membro do MLDM e moradora da Trilha do Senhor, Cid Gomes chegou a entrar em cinco residências, onde defendeu o projeto e disse que só haveria duas alternativas – ou aceitavam as indenizações no valor de 10 mil reais, em média, ou seriam realocados em algum conjunto habitacional.
Cerca de mil famílias moram na comunidade Aldacir Barbosa, que está localizada em uma área nobre e das mais valorizadas de Fortaleza, o Bairro de Fátima. Para o movimento, as comunidades que vivem em torno do trilho são vistas como uma "mancha” de pobreza, que os gestores pretendem eliminar com o pretexto das obras da Copa.
Na opinião de Francinete, o governador agiu de maneira inaceitável, intimidando a comunidade. "Os moradores ficaram com medo e abriram a porta. O que ele fez eu chamo até de infantilidade. Se ele quer conversar, por que não marca uma conversa coletiva, no centro comunitário da Aldacir Barbosa, que é grande?”, critica.
Ela denunciou ainda que Cid Gomes descumpre a recomendação do Ministério Público, que entrou com ação pública para que o Governo do Estado suspenda as desapropriações para as obras do VLT, uma vez que o licenciamento ambiental da obra não foi concluído.
Agressão física
Duas mulheres relatam ter sido agredidas por seguranças de Cid Gomes – uma torceu o braço e a outra foi empurrada, caiu e machucou o cotovelo. Elas abriram Boletim de Ocorrência.
Hoje, militantes denunciaram a agressão à comunidade, apresentando fotos e vídeos da visita durante audiência ocorrida no Ministério Público Federal.
Preocupados com a atitude do governador, moradores da comunidade Trilha do Senhor realizarão assembleia geral amanhã (4) para traçar estratégias no intuito de neutralizar uma possível ação de Cid Gomes.
Sobre o VLT
Estudante de sociologia e militante do MLDM e da Organização Resistência Libertária (ORL), Mateus Viana desenvolve pesquisa sobre os impactos sociais do VLT. Segundo ele, o veículo trafegará em 27 quilômetros da capital, ligando o Porto do Mucuripe ao estádio Castelão e, para isso, afetará mais de 3 mil famílias.
De acordo com Mateus, a média das indenizações fica em 10 mil reais, valor insuficiente para a aquisição de outro imóvel em Fortaleza. Já a obra está orçada em 265 milhões de reais, dos quais 90,2 devem ser destinados a indenizações.
O pesquisador denuncia ainda a ausência de projeto habitacional para realocar as famílias, além de grave falha no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que não apresenta alternativas de trajeto.
Dentre os impactos sociais que as famílias sofrerão, cita distância de equipamentos sociais, como hospitais, escolas, terminal de ônibus, além da perda da convivência com a vizinhança – na Trilha do Senhor, por exemplo, há famílias instaladas no local há 70 anos.