BEM VINDOS (AS)!

"Em Nome do Pai de todos os Povos,
Maíra de tudo,
Excelso Tupã.

Em Nome da Terra Sem Males,
perdida no lucro, ganhada na dor,
em nome da morte vencida,
em nome da Vida,
cantamos, Senhor!"
(D. Pedro Casaldáliga)

BEN VENIDOS! BEN VENIDAS!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mensagem de Dom Pedro Casaldáliga, pela Romaria dos Mártires

Transcrição livre da mensagem de dom Pedro Casaldáliga ao final da celebração de 17 de julho de 2011, na Romaria dos Mártires da Caminhada, cidade de Ribeirão Cascalheira, MT, Prelazia de São Félix do Araguaia.
"Possivelmente seja essa, para mim, a última romaria pé no chão. A outra já seria contando estrelas no seio do Pai. De todo modo, seja a última seja a penúltima, eu quero dar uns conselhos. Velho caduco tem direito de dar conselhos...
E a memória dos mártires, o sangue dos mártires, mais do que um conselho, [é] compromisso que conjuntamente assumimos, ou reassumimos. São Paulo, depois de tantos dogmas que anuncia, tantas brigas teológicas, tantas intrigas por cultura, dá um conselho único: 'o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam dos pobres; o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam a opção pelos pobres, essencial ao Evangelho, à Igreja de Jesus'. A opção pelos pobres. E esses pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem-terra, nos prisioneiros..., nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e com liberdade.
Eu peço também para vocês que não esqueçam do sangue dos mártires. Tem gente, na própria Igreja, que acha que chega de falar de mártires. O dia que chegar de falar de mártires deveríamos apagar o Novo Testamento, fechar o rosto de Jesus. Assumam a Romaria dos Mártires, multipliquem a Romaria dos Mártires, sempre, recordemos bem, assumindo as causas dos mártires. Pelas causas pelas quais morreram, nós vamos dedicar, vamos doar, e se for preciso morrer, a nossa própria vida também... E ainda uma palavra: há muita amargura, há muita decepção, há muito cansaço... Isso é heresia! Isso é pecado! Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa. O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós! Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo. Como se cada um de nós fosse uma célula-mãe espalhando vida, provocando vida.
A Igreja da libertação está viva ressuscitada porque é a Igreja de Jesus. A teologia da libertação, a espiritualidade da libertação, a liturgia da libertação, a vida eclesial da libertação não é nada de fora, é algo mui de dentro, do próprio mistério pascal, que é o mistério da vida de Jesus, que é o mistério das nossas vidas.
Para todos vocês, todas vocês, um abraço imenso, de muito carinho, de muita ternura, de um grito de esperança, esse cantar viva a esperança que seja uma razão... Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. Vamos repetir: 'Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança!'.
Um grande abraço para vocês, para as suas comunidades, e a caminhada continua! Amém, Axé, Awere, Saúde, Aleluia!"

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO ESTÁ VIVA EM NOSSAS VEIAS!

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós.” (Jo 1, 14). Deus assume a história humana, desce, arruma sua tenda, caminha, defende e ama a humanidade. Os empobrecidos louvam a Javé por sentir a presença do Deus Pai-Mãe que desce para socorrer os filhos que estão a “gemer em dores de parto” (Rm 8, 22).
A teologia da libertação não está morta, pelo contrário está cada vez mais viva e lúcida na Igreja da América Latina e Caribenha. Está viva nos povos indígenas; no povo negro; Quilombolas; nas favelas; nos ribeirinhos; nos campos; em cada pessoa que sonha, deseja e constrói a justiça através do Evangelho vivo de Jesus de Nazaré.
A teologia da libertação está viva em cada testemunha da causa do Reino. Testemunhas que “alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14b). Que lavaram suas vidas junto à vida do povo sofrido do campo da cidade no sangue do grande Mártir Jesus.
É no desejo de uma sociedade banhada na justiça que sonhamos com uma Igreja que sinta de fato o cheiro do povo de Deus; que ande, grite e fundamente a necessidade de ser Igreja dos empobrecidos. De fato, fora dos pobres não há salvação.
A teologia da libertação está nas correntes sanguíneos, é força vital na evangelização. Alerta para as necessidades através do pulsar do coração. Torna-se papável por ser pé no chão na realidade em que se pisa. Buscando realizar aqui e agora outro mundo possível.
Desta forma, uma teologia que não liberta, não é teologia. As sementes estão lançadas em nossas terras da América Latina e Caribenha. Agora os frutos precisam ser colhidos e partilhados no meio do povo de Deus. “Podem nos tirar tudo, menos a esperança!” (Dom Pedro Casaldáliga).
Amém, Axé, Awere, Aleluia!

Kleber Jorge e Silva – Diocese de Chapecó

segunda-feira, 25 de julho de 2011

TESTEMUNHAS DO REINO

Ter, 19 de Julho de 2011 18:43
Confira artigo de Dom Pedro Casaldáliga, publicado no site da CPT Nacional, sobre a Romaria dos Mártires, realizada no último fim de semana em Ribeirão Cascalheira (MT).

O tema-lema da nossa Romaria dos Mártires deste ano de 2011 é TESTEMUNHAS DO REINO. O título mais abrangente e mais profundo que se podia escolher para uma romaria martirial. Dar a vida dando testemunho do Deus da Vida, da Paz, do Amor. Todos aqueles e aquelas que vão doando a sua vida, no dia a dia e a dão ‘de um golpe', na hora final da sua caminhada, são testemunhas do projeto de Deus para a Humanidade, para o Universo; respondem com o que têm de melhor ao sonho de Deus, ao Reino, ao Reino de Deus.
Com essa duas palavras -«Testemunhas do Reino»- sintetizamos tudo o que se possa dizer de uma vida doada, de uma morte vivida. Na visão cristã mais tradicional essa morte é vivida pela Fe cristã. Os mártires que a Igreja reconhece oficialmente são mártires da Fé, da Moral cristã, do Evangelho, explicitamente: missioneiros tal vez, vítimas da caridade heróica, virgens radicalmente fieis ao divino Esposo. Numa visão cristã renovada, mais profunda, mais consoante com a Palavra e com a Vida, com a Morte e a Ressurreição de Jesus, são mártires todos aqueles e aquelas que dão sua vida na morte pelas causas do Reino, pela justiça, pela paz, pela solidariedade, pela ecologia, pela verdadeira promoção do próximo marginalizado. Jesus no Evangelho os define categoricamente: a prova maior do amor é dar a vida por amor. Nosso padre João Bosco deu a vida como missionário entre indígenas e camponeses e deu a vida para libertar a duas mulheres submetidas à tortura.
Nestes dias é notícia, pelo menos nos meios de comunicação mais ao serviço do povo, a morte matada, no Sul do Pará, de um casal de militantes no serviço da Natureza, Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo. Depois de Chico Mendes e da irmã Dorothy, mais dois ambientalistas são assassinados no Sul do Pará. Tristemente no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprova o sinistro Novo Código Florestal, que legalizará o desmatamento, anistiando os crimes dos madeireiros. Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo são dois novos mártires da floresta.
Ser cristão, cristã, é dar testemunho; responder com a própria vida aos apelos do Reino e contestar profeticamente à iniqüidade do antireino. Responder diariamente, com fidelidade, ao Amor de Deus no serviço fraterno. É ser coerente, com a palavra feita anúncio e com o anúncio feito prática. É ser testemunha, em primeiro lugar, da suprema testemunha, Jesus de Nazaré, proclamado no Apocalipse como «A Testemunha fiel». Ele veio para fazer a vontade do Pai, testemunhando radicalmente o amor de Deus. Ele veio para que todos tenhamos vida e vida plena. Ele repetiu ante seus perseguidores e todo o povo que suas obras davam testemunho d' Aquele que o enviou.
É uma corrente de ‘testemunhança'. Jesus dá testemunho do Pai, os mártires dão testemunho de Jesus, nós damos testemunho dos nossos mártires. Somos testemunhas de testemunhas. E celebramos a Romaria dos Mártires da Caminhada, no Santuário de Ribeirão Cascalheira, para manter viva a memória de todos aqueles e aquelas que tombaram gloriosamente, com o testemunho do próprio sangue. Celebramos a Romaria dos Mártires num dia, num lugar, para re-assumir o compromisso de vivermos como testemunhas do Reino, cada dia, e em todo lugar. Para dar testemunho do testemunho de nossos mártires e renovar, com paixão, com radicalidade, com alegria, o nosso seguimento de Jesus, na procura do Reino, na vivência do Reino, na celebração do Reino, na invencível esperança do Reino.
Para a minha ordenação sacerdotal, lá pelos anos de 1952, escolhi como lembrança um santinho com aquela pintura de El Greco que apresenta Jesus olhando para o Pai e entregando-se a seu serviço: Os sacrifícios não te agradaram e eu vim para fazer a tua vontade. No santinho recolhi o versículo 8 do capítulo 1 do livro dos Atos dos Apóstolos, «Vocês serão minhas testemunhas até os confins da Terra».
E de qualquer confim e em toda circunstância seguiremos na caminhada, como testemunhas de testemunhas, como TESTEMUNHAS DO REINO.
Pedro Casaldáliga,
Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, MT

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mi Cuerpo es Comida - Dom Pedro Casaldáliga

Mis manos, esas manos y Tus manos
hacemos este Gesto, compartida
la mesa y el destino, como hermanos.
Las vidas en Tu muerte y en Tu vida.

Unidos en el pan los muchos granos,
iremos aprendiendo a ser la unida
Ciudad de Dios, Ciudad de los humanos.
Comiéndote sabremos ser comida,

EI vino de sus venas nos provoca.
El pan que ellos no tienen nos convoca
a ser Contigo el pan de cada día.

Llamados por la luz de Tu memoria,
marchamos hacia el Reino haciendo Historia,
fraterna y subversiva Eucaristía.

Mis insignias episcopales - Dom Pedro Casaldáliga

TU MITRA
será un sombrero de paja sartanejos;
el sol y la luna;
la lluvia y el sereno;
el pisar de los pobres con quien caminas
y el pisar  glorioso de Cristo, el Señor.

                    TU BÁCULO
será la verdad del Evangelio
y la confianza de tu pueblo en ti.

                    TU ANILLO
será la fidelidad a la Nueva Alianza del Dios Liberador
y la fidelidad al pueblo de esta tierra.

                    No tendrás otro ESCUDO
que la fuerza de la Esperanza
y la liberdad de los hijos de Dios.

                    No usarás otros GUANTES
que el servicio del Amor.